Nem com raiva, nem na TPM. Nem quando eu to rindo das tuas graças sem querer, mas, por dentro, querendo te esganar. Nem quando tuas graças não têm graça mesmo, e ferem. Nem quando eu perco a pose de moça educada e levanto a voz. Nem sem paciência, nem se eu estiver a ponto de um rompante. Em lua de mel ou quando acaba o mar de rosas. De jeito nenhum eu consigo te subtrair de mim.
sexta-feira, 25 de maio de 2012
terça-feira, 15 de maio de 2012
Nariz de batata
Hoje é dia 14? Sim. Tá bom. Uma segunda-feira como outra qualquer. Só que não. Essa segunda-feira ficou marcada como o dia em que eu estava me olhando no espelho e percebi que não faço teu tipo. O ruim de saber muito de ti é isso: eu sei demais. E também acabei me dando conta hoje, do nada, que não sou extremamente branca, nem daquele tipo de morena que tu gosta, nem loira e alta. Não sou magra e delicada. Não sou nada exótica, não chamo atenção. Eu não escuto aquelas músicas que tu vive dizendo que são tão boas, nem assisto aqueles filmes que a gente precisa ver várias vezes para, enfim, começar a acompanhar o raciocínio da história. Não gosto de um monte de coisas que tu gosta, apesar das nossas muitas semelhanças. Além disso, tenho um nariz de batata do qual, recentemente descobri, tu não é muito fã. Lástima.
Não que eu vá me agarrar a esses ínfimos detalhes que diferenciam a gente. Não. Mas hoje, nessa segunda-feira inconveniente, me peguei pensando nas outras. Aquelas que fazem teu tipo. E eu me flagrei sentindo uma raiva especial por todas elas. Cada uma com sua singularidade, as que te conhecem ou não, as que te amam ou não, as que já marcaram tua vida ou não. Guardei uma raiva especial para as loiras ou muito brancas, outra para as esguias, outra para aquelas que tem o gosto musical estranho como o teu. Outra raiva para aquelas que cantam bem, outra para as muito inteligentes, outra para as que te escrevem coisas bonitas. Mais uma raiva para aquelas que mal te conhecem e já te amam fácil. Ah, essas são as piores!
Tudo isso pelo simples fato de que, quando se trata de ti, eu sou muito mais egoísta do que o normal. Não gosto que nenhuma outra seja páreo pra mim, que nenhuma se compare, nem diga que te ama ou te adora ou te admira. Não que tu não seja amável, adorável, admirável. É que elas, nenhuma delas, jamais te conhecerá nos níveis e ângulos que eu conheço. Nem as que fazem o teu tipo, nem a mais perfeita, nem aquela que tu algum dia venha a idealizar. Nenhuminha vai ser igual a essa trouxa de nariz de batata, neurótica e possessiva, que te conhece os defeitos, e te adora por e apesar deles.
Escrito ontem. Taí uma verdade que eu não gosto de admitir. Mas depois da meia noite, já não controlo as palavras direito.
segunda-feira, 14 de maio de 2012
Sobre espaço
"Amor, olha, eu não quero um espaço! Não quero que nenhum de nós tenha espaço! Eu quero ficar bem à sua frente. Quero que o ar que você respira seja o ar que sai diretamente da minha boca. Quero que troquemos ar um com o outro até que estejamos respirando praticamente só gás carbônico, e nós dois, então, desmaiemos e morramos."
[New Girl, episódio 18, primeira temporada]
quinta-feira, 10 de maio de 2012
O Ar

Vou te esquecer em cada vento frio que passar entre nós. Vou te sonhar em cada beijo vivo. Vou te lembrar em cada instante que perder o fôlego. E então te prender comigo e te levar embora em cada suspiro aliviado. Te verei sair da minha boca a cada respiração e logo em seguida inspirarei mais forte, com medo de que se vá de vez.
[Às 16h.]
quarta-feira, 9 de maio de 2012
Ciclo vicioso
Não sei em quanto tempo, mas acho que já completaram trinta vezes que a gente disse que iria se largar. Fico procurando espaços pra te esquecer no meio desse ciclo vicioso. Não encontrei nenhum pedaço de mim que queira isso, é óbvio. Na teoria é tudo tão mais fácil né? A gente imagina, constrói planos e estratégias, expecta. E na prática, mesmo que eu lute, acabo expectando mais do que deveria e caio na velha armadilha de sonhar. Sonhar: é aí que tudo começa a ficar meio esbranquiçado, como na TV. Quando a gente começa a sonhar, mesmo que um pouquinhozinho de nada, a mente embaça e começa a ver tudo em câmera lenta. A minha mente, por sua infeliz vez, não só quer ser diferente, como fica muito pior. Em vez da câmera lenta usual, minha cabeça de vento dá uma pausa total, congela a tela e esquece que o tempo está passando. Muito mais inteligente seria se essa adorável parte de mim fosse mais pé no chão e se apercebesse do que acontece em volta - e por dentro.
Já pensou como seria fácil se ao dizer que é o fim, isso significasse realmente o final, o último beijo, a despedida pra sempre, caso encerrado, e au revoir? Mas não. Minha boca diz final e logo em seguida se desmente. Ordinária. E ela não te larga. Impressionante como minha boca não te larga. Não quer. É teimosa. E minha mente pausada não faz nada pra impedir essa birra que tenho comigo mesma.
Mas daí, o que eu faria se numa dessas trinta vezes o fim tivesse significado? Incrível como a gente não sente falta, até sentir. É sempre assim. A gente sempre acha que está certo até errar, e errar feio. E como um tapa-de-realidade-na-cara, a gente nunca sente nada, até sentir um bocado de coisas. Eu nunca precisei do teu colo, até precisar...
E, como eu sempre digo, a culpa de tudo isso é toda tua.
Mas daí, o que eu faria se numa dessas trinta vezes o fim tivesse significado? Incrível como a gente não sente falta, até sentir. É sempre assim. A gente sempre acha que está certo até errar, e errar feio. E como um tapa-de-realidade-na-cara, a gente nunca sente nada, até sentir um bocado de coisas. Eu nunca precisei do teu colo, até precisar...
E, como eu sempre digo, a culpa de tudo isso é toda tua.
sexta-feira, 4 de maio de 2012
Soneto do maior amor
Maior amor nem mais estranho existe
Que o meu, que não sossega a coisa amada
E quando a sente alegre, fica triste
E se a vê descontente, dá risada.
E que só fica em paz se lhe resiste
O amado coração, e que se agrada
Mais da eterna aventura em que persiste
Que de uma vida mal-aventurada.
Louco amor meu, que quando toca, fere
E quando fere vibra, mas prefere
Ferir a fenecer - e vive a esmo
Fiel à sua lei de cada instante
Desassombrado, doido, delirante
Numa paixão de tudo e de si mesmo.
Do Vinicius, é claro.
quarta-feira, 2 de maio de 2012
sábado, 21 de abril de 2012
Logo antes da chuva
Acabou a brincadeira. Ontem eu devo ter passado por algum portal mágico (e, portanto, secreto) durante o sono. Porque hoje eu acordei com essa vontade de ser mais do que isso que me tornei. Sabe os olhos secos durante aquela chuva torrencial? Pois é, eles não me pertencem.
Achado por esses dias entre folhas brancas de um caderno. Esqueço muitos textos por lá. Nem sei quando escrevi. Provavelmente logo antes de uma chuva de verão passar por mim, me lembrando que minha alma não é a prova d'água.
quinta-feira, 12 de abril de 2012
No ponto
Sabe de uma coisa? De tudo que há de mais ridículo pra se fazer por um cara, o pior que eu fiz foi ficar procurando sinal pra falar com ele no celular. Lá estou eu, no meio do nada, de um nada lindo com tanta coisa pra olhar, fotografar, pessoas pra conversar, e eu idiotamente erguendo o celular e esperando que o sinal melhorasse. Seria romântico se não fosse passageiro - com data de validade e tudo mais. Nessas horas e em todas as outras nas quais eu prezo pelas pequenas coisas é que percebo: chega de efemeridades. Chega. Chega de ser o "tanto faz" de alguém. Chega de fazer os outros de "tanto faz", "eu não ligo". Lya Luft estava certa esse tempo todo. Preciso de alguém que, embora eu eventualmente perca a paciência, perca a graça e perca a compostura, "ainda assim me ache linda e me admire".
Chega dessa onda de não me importar com nada e não querer que se importem comigo. De dar tanta atenção ao que não me dá futuro. De perder tempo em montanhas-russas. Chega de queda-livre. De testar o quão quebradiça eu sou. Eu já sei que quase sempre quebro fácil. Não sou indestrutível. Até o aço tem um ponto de ebulição.
Chega dessa onda de não me importar com nada e não querer que se importem comigo. De dar tanta atenção ao que não me dá futuro. De perder tempo em montanhas-russas. Chega de queda-livre. De testar o quão quebradiça eu sou. Eu já sei que quase sempre quebro fácil. Não sou indestrutível. Até o aço tem um ponto de ebulição.
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